Raimunda Gomes da Silva – Brazil

She is one of the 1000 women proposed fort the Nobel Peace Price 2005

Raimunda Gomes da Silva – Brazil

She says: “The power of capitalism makes a small number of people accumulate wealth, while many others become poorer every day. How can a mother live in peace if she can not feed her little children?” She works for the ‘Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS)’.

Raimunda Gomes da Silva (1944), ‘dona Raimunda do Coco’ (lady Raimunda of the Coconut), is respected for her leadership in the fight for the rights of female peasants and environment protection. Presently, she coordinates the Secretariat of the Rural Extractivist Woman, which gives courses about gender on politics and income-generating activities. Raimunda emphasizes the importance of babaçu (type of coconut) extractivism. She has been facing large landowners since the 1980s, when she began community work in Tocantins countryside. She promotes rural knowledge and culture.

I found no more any other text in English, so here after some excerpts and links in Portuguese:

Raimunda Gomes da Silva – Área de atuação: Ecologia e direitos das mulheres. Lugar onde trabalha: Secretaria da Mulher Trabalhadora Rural Extrativista – São Miguel (TO). Fonte indicadora: Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS) e mais doze entidades.

PROJETO QUE DESENVOLVE: Raimunda Gomes da Silva é a responsável pela Secretaria da Mulher Trabalhadora Rural Extrativista do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS). Com coordenadorias nos Estados do Tocantins, Maranhão, Pará, Acre, Macapá, Mato Grosso, Amazonas, Piauí e de Rondônia atende diretamente cerca de 15 000 mulheres. A Secretaria dá cursos sobre questões femininas, trabalha com conscientização ambiental e ajuda na comercialização dos produtos agroextrativistas. Raimunda foi uma das fundadoras da Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio (Asmubip) e é vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Tocantins (Fetaet). Ela é ainda diretora do conselho fiscal da Rede Mulher de Educação e tesoureira do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Miguel do Tocantins.

PANORAMA DA ÁREA: No Brasil, as palmeiras de babaçu estão espalhadas por 18 milhões de hectares entre a floresta amazônica e das terras semi-áridas do Nordeste. Uma árvore nova demora de quinze a vinte anos para dar cocos. O babaçu dá origem a mais de 60 produtos. Tudo nele é aproveitado. O mesocarpo, a polpa do coco, e o palmito são ingredientes de receitas culinárias. O óleo serve para cozinhar e fazer sabão, sabonete e xampu. Das palmas e dos cocos confeccionam-se redes, tapetes, peças de artesanato e jóias. A palha pode cobrir casas e cercas, além de ser de matéria-prima na fabricação de papel e sacos. O babaçu também serve de adubo e de alimento para criações. As quebradeiras de coco babaçu trabalham em média 22 dias por mês quebrando 6 quilos de coco por dia. Cada quilo é vendido por 30 centavos. Ao final de um ano, elas recebem pouco mais de 475 reais. Essas mulheres pobres, que geralmente moram em casas sem saneamento básico, muitas vezes garantem a sobrevivência da família com seu salário, com os produtos do babaçu e com a criação de animais e o plantio de frutas e verduras.

PERFIL DA CANDIDATA E HISTÓRICO DA OBRA: Raimunda, 59 anos, nasceu em Bacabal, no Maranhão. Filha de lavradores pobres, teve dez irmãos, não estudou e se casou aos 18 anos. Depois de catorze anos de um casamento difícil, abandonou o marido e criou sozinha os seis filhos, então com idades entre três meses e 11 anos, trabalhando como lavradora em diversos municípios. Em 1979, mudou para Sete Barracas, no município de São Miguel, no Bico do Papagaio (TO). Na região moravam 52 famílias e não havia qualquer trabalho comunitário. No ano seguinte, com a Pastoral da Terra, Raimunda reuniu os moradores para montar um sindicato de trabalhadores rurais. “Com as rodovias Belém–Brasília e Transamazônica começaram a chegar pessoas de fora”, lembra Raimunda. “E os grileiros passaram a disputar nossas terras.” O sindicato foi fundado oficialmente em 1983, depois de vencer uma série de burocracias, com 552 sócios. “Enquanto esperávamos a carta sindical, havia despejos e brigas e meus companheiros eram mortos”, conta. “As pessoas tinham medo de reivindicar por causa da guerrilha do Araguaia. Achavam que falar de comunidade era coisa de comunista.” Na região não existiam formas de comunicação à distância e os sindicalistas de cada vilarejo precisavam viajar para se encontrar. Mesmo assim, conseguiram abrir dezesseis delegacias sindicais na época em que os conflitos na área pioraram. Em setembro de 1985, as 52 famílias de Sete Barracas foram expulsas da terra por 160 policiais. “Perdemos 422 linhas de roça. Não tínhamos o que comer nem onde morar”, lembra Raimunda, que, com o apoio do sindicato, conseguiu que as terras fossem devolvidas aos trabalhadores.

TRABALHO DE GÊNERO: Nessa época, o padre Josimo Morais Tavares mudou-se para a região. Alvo dos inimigos por ser um importante aliado dos trabalhadores rurais nos conflitos pela terra, Josimo foi morto em Imperatriz (MA) em maio de 1986. “São poucos os sobreviventes. A maioria preferiu abandonar a luta para não morrer”, lamenta Raimunda, que saiu pelo país para denunciar o assassinato de Josimo. Na viagem, fez contatos com a Rede Mulher de Educação e com o Conselho da Mulher. Em Brasília, Raimunda ainda recolheu documentos que facilitassem a desapropriação de terras. Em 1988, com a divisão de Goiás, foi criada a Federação dos Trabalhadores Rurais do Tocantins, da qual Raimunda tornou-se vice-presidente. Começou, então, a reunir grupos de mulheres e a levantar a questão da participação feminina. Salientando a importância do extrativismo do babaçu para a renda familiar, Raimunda elevava a auto-estima das quebradeiras. Em 1989, para divulgar o trabalho delas, organizou uma feira em Imperatriz, com peças de artesanato e alimentos feitos de babaçu, mostrando ao público que elas produziam muito e que precisavam do coco para sobreviver. Nessa época, Raimunda conheceu outras associações que desenvolviam trabalho semelhante no Piauí, Pará e Maranhão e se uniu a elas para criar a Federação Interestadual das Quebradeiras de Coco. O projeto cresceu e ela foi convidada pela Rede Mulher para discutir propostas de reservas extrativistas de babaçu na reunião ecológica Rio-92. “Nossa região foi muito destruída, então temos que criar reservas, fazer a reforma agrária ecológica”, explica Raimunda. Nesse mesmo ano ela criou a Associação das Quebradeiras de Coco, da qual foi coordenadora-geral até 1994. Em 1995, tornou-se coordenadora da Secretaria da Mulher Trabalhadora Rural Extrativista do CNS. O CNS defende a preservação do meio ambiente para garantir o trabalho extrativista das populações locais. O conselho também luta por recursos para os assentamentos e ajuda na comercialização da castanha, do babaçu e de outros produtos do extrativismo. Raimunda levou sua história a vários países. Ela visitou o Canadá, os Estados Unidos e a França, onde participou de um encontro sobre direitos humanos com representantes de sessenta países. Em 1995, foi convidada pela Women´s Environment and Development Organization (Wedo) para participar da Conferência de Beijing sobre a Mulher.

ÁREAS DE ATUAÇÃO: A Secretaria da Mulher Trabalhadora, a Asmubip e a Fetaet abordam temas como organização das mulheres, educação, saúde, paternidade, créditos agrícolas, reforma agrária, meio ambiente e agricultura familiar. A Secretaria oferece seminários e cursos onde são discutidas a coordenação e liderança, documentação, importância do estudo, criação de creches e recursos para que as mulheres trabalhem de forma mais produtiva com o extrativismo e o artesanato. “As quebradeiras ganham uma miséria, têm que arcar com a educação dos filhos e com todo o trabalho de casa”, lamenta Vera Vieira, coordenadora da Rede Mulher de Educação. Os cursos de gênero e meio ambiente mostram às mulheres que o que elas produzem no fundo do quintal pode ser mais importante para a alimentação da familia do que o trabalho de seus maridos. A secretaria ainda acompanha a criação de reservas extrativistas. “Raimunda congregou as forças das quebradeiras de coco em torno da defesa do babaçu, que, apesar de ser uma árvore protegida por lei, continua sendo derrubada por fazendeiros”, afirma Rafael Pinzón Rueda, chefe do Centro Nacional de Populações Tradicionais do Ibama. “Ela não está somente defendendo a natureza, mas também as pessoas que dependem da natureza para sobreviver.” A Asmubip tem 400 sócias reunidas em 27 núcleos. A Secretaria da Mulher conta com 150 coordenadoras regionais. Essas mulheres repassam seus conhecimentos a quebradeiras e lavradoras de nove Estados. “Na região, 300 000 famílias se estruturam em torno das mulheres quebradeiras de coco como principais fontes de renda”, explica Floriano Pastore Júnior, professor do Instituto de Química da UnB. “É uma população largamente esquecida a qual ela tenta trazer melhores condições de vida e de saúde e mais dignidade, além de um projeto econômico para diversificar a produção e as fontes de renda.”

NA PRÓPRIA COMUNIDADE: No final dos anos 80, Raimunda passou a se articular em Sete Barracas. Os 120 moradores beneficiados com a reforma agrária formaram o Clube Agrícola de Sete Barracas. Conseguiram montar uma escola, onde os adultos também fazem cursos de alfabetização, de saúde e de educação ambiental. As mulheres aprendem a reaproveitar frutas para doces e compotas. Em associação, construíram três açudes na comunidade, que até hoje não tem água encanada ou luz. Os projetos reúnem grupos pequenos de trabalhadores em tornos de atividades como apicultura ou fruticultura.

EFICIÊNCIA: A Secretaria da Mulher não tem parceiros fixos e negocia recursos com o governo e com outras ongs para se manter. O CNS repassou 400 reais para pagar contas e montar um arquivo. Outras ongs ajudam com pequenas quantias. Raimunda conseguiu aprovar um projeto com o Ministério do Meio Ambiente e, no final do ano passado, recebeu 34 000 reais. O recurso paga os salários da coordenadora e de duas assessoras e está sendo distribuído para núcleos de outros Estados. “A gente não tem muito dinheiro, mas o trabalho não pode parar”, afirma Raimunda.

IMPORTÂNCIA DA CANDIDATA: “Ela é tão diplomática que, se tivesse estudado, chegaria à presidência da República”, afirma Vera Vieira. “Ela possui uma capacidade de negociação e de articulação inacreditáveis.” Para Maria Leci de Bessa Mattos, assessora do Instituto de Formação e Assessoria Sindical (IFAS), de Palmas, TO, Raimunda é uma pessoa corajosa, que enfrenta todos, é carismática e admirada. “Ela ajudou na formação de diversos núcleos de trabalho de mulheres, que desenvolveram consciência política e atividades de geração de renda e aprenderam a ver o valor de seu próprio trabalho”, explica. “Raimunda não trabalha sozinha, mas é a líder de um grupo que acredita no que ela faz, na importância da organização”, diz Floriano Pastore Júnior. “Poderia ter ficado em casa, criando filho, mas preferiu assumir a luta.” Rafael Rueda acredita que Raimunda mobiliza as pessoas em torno de suas idéias: “Depois de Chico Mendes, é a líder mais carismática que apareceu na área. Ela conseguiu valorizar as mulheres em uma das regiões mais machistas do país.”

COMENTÁRIO DA CANDIDATA: “Minhas viagens me ajudaram a ver que as coisas podem mudar, podem ser mais democráticas. Teremos um paraíso na terra assim que descruzarmos os braços e trabalharmos para que não existam mais injustiças e para evitar que a natureza seja devastada. Não vamos ser ricos, mas teremos o que comer, vamos saber que nossos filhos estão bem, têm educação. Vamos ser felizes.”

Here the beginning of an interview: Yo, Raimunda Gomes da Silva, madre de 7 (siete) hijos, tres varones, tres mujeres y uno por adopción, casada en la iglesia con el primer marido (del cual me he separado después de 14 años de vida común) labradora e hija de labradores. He vivido diez añoa sola con los 6 hijos y actualmente vivo con mi segundo marido hace más de 14 años.

Como empezé a ser líder?: Empezé a ser líder cuando me quedé sin mi marido e; 14 de marzo de 1973. Me quedé administrando todo solo y en 1976 empezé a lidiar con la comunidad por medio de la Iglesia y participar de cursos bíblicos y reunir a la comunidad para planear la situación de la salud y discutir la vida de las madres solteras, en la Iglesia y con las otras mujeres casadas. Ellas eran discriminadas y sus amantes les pegaban. En 1976 me mudé de Maranhão para Tocantins e al llegar lo que me llevó a asumir más cosas, fueran los conflictos de tierra, porque en ellos sufrían hombres y mujeres, entonces juntamos todos y creamos un sindicato en esa región, del cual fui coordinadora sindical con el apoyo de la Pastoral de la Tierra/CPT y resultó la creación de una Federación de los Trabajadores Rurales, pues casi no viv[ia en mi casa, mis hijos varones iaban creciendo y saliendo de casa y además trabajando en la casa y en el campo y en esa lucha me preocupaban los hijos, sin saber dónde estaban y también me preocupaba con los estudios de mis hijas.

Que la llevó a hacerse líder? Porque veía el sufrimiento de las mujeres pobres como yo, y tanto sufrían las casadas como las solteras y los niños y niñas que como mis hijos y hijas terminaban abandonados sin padre.

Cuáles son las dificultades que tuvo de superar en su formación como dirigenta? Las dificultades que enfrenté eran tener que trabajar para mantener los hijos y la falta de lectura que era poca y tener que salir para participar de los cursos dejándolos solos, sin tener tierra para trabajar, teniendo que trabajar en tierras ajenas, las tiendas eran muy lejos y todavía enfrentaba los prejuícios de luchas con esas mujeres y ser una persona sincera y construir una buena amistad entre homens e mujeres. También enfrenté mucho miedo del latifundio.

Como han sido los impactos en sus familias y sus comunidades rurales? Cuanto a lo ganado, mi familia, a través de la lucha logró tierra para trabajar. En mi comunidad hay 120 personas que se han beneficiado de esa lucha e tienen tierra para trabajar. El Movimiento de Mujeres desl Estado do Tocantins, ASMUBIP – Asociación de Mujeres Trabajadoras Rurales del Bico do Papagaio y la Coordinación Estadal de Mujeres, también como Rede Mulher de educação, Vonselho Nacional dos Direitos da Mulher, Cunhary. Tener intercambio de experiencias con Movimientos de Mujeres de otros países. Cuando estaba en la coordinación creamos juntas varias entidades.

Hemos invertido mucho esfuerzo entrando en la vida de las parejas que se peleaban mucho y se hicieron felixes cuando empezé a aconsejarlas. Actualmente estou en la Secretaría de la Mujer trabajadora Rural extractivista del Consejo Nacional de los Caucheros/CNS trabajando en los siete estados amazónicos, tratando de crear organizaciones de mujeres, haciendo con que entren a las ya existentes. Existe uma sede de esa secretaría que hoy enfrenta una fificultad financiera muy grande.

Cuales son las ventajas y desventajas para una líder del campo? Ventajas: Por un lado ser muy conocida por la sociedad, todos hablan de ella, tiene muchos conocimientos, aprende y enseña para los/las otros/as, se vuelve contenta cuando otros/as se hacen cargo y hace con que el trabajo se multiplique, construímos muchos amigos/as en muchos lugares y eso nos mantiene en la lucha.

Las desventajas: No tiene tiempo para la familia ni para ella misma, pasa mucho miedo y rabia, tiene momentos de alegría y también de tristeza cuando sucede alguna cosa con los otros/as compañeros/as. También tenemos menos remuneración de los otras/as porque no tienemos tiempo para trabajar. Una líder sufre mucha discriminación, no puede equivocarse porque si se equivoca todos/as le caen en cima, sufre mucha calunia aún de parte de sus compañeros/as. A veces extraña no vivir en su casa, pero llega a un punto en que todos/as les dan órdenes. Otra desventaja es cuando hacemos un reportaje y hablamos una cosa pero la repórter pone otra, entonces no nos quedamos satisfechas. S. Miguel – Tocantins – 29/10/97, Raimunda Gomes da Silva, Fax 55-63-4471140. See on this link.

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FOLHAonline: As mulheres que fazem os movimentos sociais – A fala de Lady Aquino, presidente do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), durante o encontro Diálogos de Fundações, no final de fevereiro, em Brasília, não deixa dúvida sobre o seu caráter: firme, preocupada, engajada. Lady, ou melhor, Maria de Araújo Aquino e Dona Raimunda Silva são exemplos de lideranças femininas que surgiram no país nos últimos anos. Se antes o feminismo era representado por mulheres intelectuais, brancas e de classe média, hoje são as trabalhadoras rurais que reivindicam mais cidadania e ações.

Principalmente no Norte do país. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2003) mostram que a mulher brasileira vem superando o homem em diversos setores do mercado de trabalho, sobretudo na liderança de movimentos sociais, mas ainda não consegue alcançar os melhores salários e cargos. No que depender da região Norte, a inferioridade com relação aos homens tende a cair.

Aos 39 anos, Lady Aquino, que mora em Xapuri, no Acre, casada, mãe de um filho, viu sua vida mudar ao assumir a presidência do GTA e abandonar o campo, onde era trabalhadora rural. A vida de Dona Raimunda Gomes da Silva, coordenadora da Secretaria da Mulher Trabalhadora Rural Extrativista do Conselho Nacional dos Seringueiros CNS, também perfaz o itinerário de uma lutadora: mãe de seis filhos, sendo um adotivo, há pouco tempo se aposentou como trabalhadora rural. Aos 64 anos, D. Raimunda, quebradeira de coco, mantém uma firme liderança. É em busca da autonomia em suas atividades econômicas que trabalham Lady Aquino e Dona Raimunda.

“A participação das mulheres vem crescendo de forma sólida ao longo dos anos, principalmente na política, que abriu espaço para que ampliassem o trabalho que vinham realizando no campo social. Existe também um crescimento do número de mulheres liderando os movimentos sociais. Um fato novo é que elas estão na gestão de movimentos não necessariamente feministas. Eu destacaria o caso do GTA e da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA). São duas grandes redes sociais, que têm mulheres em sua coordenação, a Lady Aquino e a Valquíria Lima, respectivamente. Com seu trabalho, as duas vêm influenciando as políticas públicas e sociais e melhorando a vida de muita gente”, exemplifica Zezé Weiss, especialista em desenvolvimento social e sociedade civil do Banco Mundial.

Crédito para as mulheres
Para Lady Aquino, a questão da igualdade salarial com relação aos homens ainda é um desafio, embora tenham mais espaço no setor público e no produtivo. Uma das conquistas, segundo ela, foi o crédito específico para as mulheres. “Hoje a trabalhadora solteira, se inscreve no Incra e tem sua terra registrada em seu nome, o que antes era muito difícil de acontecer sem ajuda de um homem”, ressalta a presidente do GTA.

Lady Aquino coordena atualmente as mais de 600 organizações que fazem parte do Grupo de Trabalho Amazônico – GTA, órgão da sociedade civil criado em 1992 com o objetivo de promover a participação das comunidades da floresta nas políticas de desenvolvimento sustentável. A Rede GTA é formada por dezoito coletivos regionais em nove estados brasileiros que ocupam mais da metade do tamanho do país, envolvendo agricultores, seringueiros, indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco de babaçu, pescadores, ribeirinhos e entidades ambientalistas, de assessoria técnica, de comunicação comunitária e de direitos humanos.

A coordenadora do Conselho Nacional dos Seringueiros, Dona Raimunda Silva, também aponta alguns desafios que as mulheres vêm enfrentando na região Norte do país, como a questão da saúde: “Algumas mulheres não têm conhecimento do próprio corpo, pois muitos maridos não as deixam fazer os exames de prevenção no colo do útero, de câncer de mama”, revela. D. Raimunda, acrescentando que as dificuldades de deslocamento e comunicação na região Norte também dificultam o acesso a esses recursos. Ela acredita que as parcerias com os setores públicos e, por que não, com organismos internacionais são caminhos para combater o problema da saúde e para gerar o desenvolvimento sustentável na Amazônia como um todo.

Dona Raimunda Gomes foi a primeira coordenadora eleita para a Secretaria da Mulher Trabalhadora Rural Extrativista do Conselho Nacional dos Seringueiros, criada em 1995 em reconhecimento à importância das mulheres nos movimentos organizados. Incentivou as mulheres a obter identidade própria e a gerir os seus negócios. A secretaria trabalha pela conscientização de ambos os sexos, levando até as comunidades das reservas extrativistas programas de educação, saúde, combate à pobreza e fortalecimento do papel da mulher nas cooperativas e associações.

Sobre a atuação do poder público nessa área, Dona Raimunda avalia: “Participamos do primeiro encontro de políticas públicas para as mulheres e acredito que o governo tem exercido um papel importante ao abrir espaço para a participação de entidades diversas”. Ela defende que a atuação em parceria é fundamental para incentivar a agricultura familiar e o desenvolvimento sustentável: ”As prefeituras podem fortalecer os bons programas que já existem, direcionando recursos ou ajudando a captar de outras fontes e aprimorar a gestão”.

Restauração da cidadania
A fotógrafa Claudia Ferreira, que lança nesta semana o livro Mulheres em movimentos (Ed. Aeroplano), junto com a médica Claudia Bonan, há vinte anos acompanha os movimentos sociais e de mulheres no país. “A grande mudança do feminismo, nos anos de 1990, foi a introdução de outras mulheres e com isso o movimento deixou de ser de intelectuais brancas de classe média. Com a entrada das trabalhadoras rurais, das mulheres negras e indígenas, das lésbicas, houve uma ampliação do movimento e um envolvimento maior com a restauração da cidadania e da redemocratização”.

Lady Aquino mostra isso na prática. Aprimorar a gestão das entidades também é uma preocupação do Grupo de Trabalho Amazônico. Aquino revela que o GTA trabalha há um ano em um projeto para a articulação de empreendedoras da região Norte. “Primeiro estamos fazendo um diagnóstico da situação dessas mulheres para conhecer que tipo de artesanato, alimentos e produtos elas desenvolvem para que depois possamos auxiliar melhor na gestão e nos processos”.

Segundo a presidente do GTA, as perspectivas para 2005 são positivas: “A articulação de empreendedoras pode ajudar na busca de soluções e de mecanismos para facilitar o escoamento dos produtos, um dos grandes desafios nessa área”. AMANDA VIEIRA, VALÉRIA LAMEGO, DANIELLE CHEVRAND, do site da Fundação Banco do Brasil.

links:

WWSF Women’s World Summit Foundation;

FUMDHAM;

FOLHAonline.

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